Caía a noite, e com ela uma chuva torrencial. A casa ficava em um morro com vista para um povoado, algumas janelas quebradas, telhas faltando e o mato crescendo sobre a varanda. A velha casa amedrontava os moradores mais próximos, que não ousavam aproximar-se dela.
Em meio a pequena estrada de acesso, deserta e inundada pelo volume da chuva, uma pessoa se movimentava em direção à casa com passos decididos.
- Alguém se aproxima Milorde, avisou uma voz trêmula.
- Então ele já veio. Eu sabia que não demoraria, prepare a isca, respondeu a segunda voz.
Logo após, a mesma voz começava balbuciar algo irreconhecível, e uma cobra rapidamente apareceu saindo de um cômodo ao lado.
- Convide-o a entrar Naghini - disse a voz fria.
- Tudo pronto Milorde - disse o homem com a voz trêmula.
- Fez exatamente como ordenei? perguntou a voz fria.
- Fiz Milorde
- Espero, pois já cansei-me de sua incompetência Ônix - disse o ser com uma voz fria.
Então o outro homem se afastou um pouco sem ousar olhar nos olhos do seu lorde.
- Não tolerarei mais erros
- Senhor não haverá, eu prometo - respondeu o homem com a voz mais trêmula do que nunca
- Ótimo - respondeu mais uma vez a voz fria. - Se retire vá para seu posto, idiota.
- Sim Milorde - falou com a cabeça baixa sem ousar olhar para o outro.
No portão a grande cobra parara impedindo a entrada do visitante indesejado.
- Eu tinha certeza que já sabiam da minha presença, mas já vim preparado - disse o homem com uma voz fria.
- Pandora ataque - gritou o homem.
E então uma outra grande cobra apareceu por entre os arbustos e avançou em direção a outra serpente que se enroscaram travando uma briga mortal.
- Vou acabar com isso hoje - gritou o homem, que avançou para a porta puxando das vestes uma varinha e apontou para a porta - BOMBARDA!!! - e a porta fora arrancada da parede.
Então o homem avançou casa adentro, enquanto lá fora o barulho era abafado pelos raios e trovões que atingiam a região durante esta tempestade.
Ao caminhar pela sala, o homem encharcado pela chuva viu gotas de sangue por todo o chão. Ouviu tinidos de garrafas que alguém soltara no assoalho, e logo depois um ruído de uma cadeira pesada sendo arrastada.
Não pensou duas vezes ao ver uma escadaria que dava para o segundo andar da casa e apressou-se em subi-las, olhando atentamente para todos os lados com a varinha em punhos.
- Algo errado - pensou ele.
- Vamos lá Tom, solte teus lacaios em cima de mim - gritou o homem.
Ao terminar os degraus da escadaria ele se deparou com um corredor onde havia varias portas e uma propositalmente aberta.
- Essa é velha Tom. Se quer me pegar numa emboscada precisa melhorar - gritara o homem mais uma vez.
- Milorde não precisa de emboscadas para capturar vermes - Ônix falou enquanto saía por uma das portas detrás do homem .
- Pela voz já sei até de quem se trata, achei que depois de tudo que você falhou já estivesse morto Ônix - respondeu o homem ironicamente - Pelo jeito o Tom precisa rever o pessoal - falou em deboche.
- Você vai pagar pelo que fez Grigiel - disse Ônix em tom de raiva. Apontando a varinha para quem ele acabara de chamar de Grigiel, balbuciou - Avada... - mas antes que ele pudesse terminar ouviu-se outra palavra.
- Malleficium!!! - E uma fina luz azulada saiu da varinha atingindo o Comensal que se debateu como se tivesse levado um choque e caiu no chão.
- Vamos ver se alguns volts fazem você calar essa sua boca suja, panaca - falou Grigiel em tom de superioridade.
Então deixando Ônix ao chão ele correu até a porta que estava entreaberta, e entrou sem cerimônias. Estava tudo mal iluminado a não ser por algumas velas que circundavam algo que parecia ser uma pessoa.
- Então, já derrubou o inútil do Ônix, grande coisa Vincent - falou o homem com a voz fria. Porém ele não era uma pessoa comum. Era um homem mais branco que um crânio, com olhos grandes e vermelhos, um nariz chato como o das cobras e fendas no lugar das narinas.
- Grigiel pra você Tom - respondeu Vincent
- Milorde para você Vincent - respondeu Tom - não espero que você possa entender que deve se curvar a mim e implorar para viver, por isso quero lhe mostrar isso, ele levantou a mão com finos e grandes dedos, onde segurava uma varinha e muitas outras velas se acenderam.
O homem então pôde ver que se tratava de uma mulher que estava ali, desacordada.
- Bela? Gritara o homem.
- Bela !!!!!
- HAHAHAHAHAHAHA - Tom gargalhava sinistramente.
Não podendo se conter, furiosamente ele correu até ela gritando seu nome.
Mas quando ele a tocou algo estranho acontecera, os olhos dela e a sua boca aberta começara a emitir uma luz muito brilhante. Então seu corpo começa a flutuar, a luz se intensifica de uma forma que toda a sala agora estava iluminada, e da mesma forma que começou a luz acabava de cessar e seu corpo transformara-se em sangue que caia do alto em cima dele.
- Nãããããããooooo !!! Gritava o Vincent Gaunt.
- HAHAHAHAHA
- AAAAAAAAAAAHHHHHHHHH - Gaunt acordara assustado e ofegante.
- Que aconteceu Senhor? Estava gritando - perguntou um homem que acabara de entrar no quarto.
- Nada Diego, não foi nada. Respondeu ele - Você já se certificou de tudo? Lembre-se que temos uma missão hoje.
- Claro Senhor tudo certo, podemos partir assim que estiver pronto - respondeu Diego.
- Ótimo então iremos imediatamente.
Gaunt trocara de roupa se juntara a Diego e então aparataram.
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